Por Geane Brito*, Miami, Setembro 2011
Não é preciso ser corretor para saber que, apesar de pouca lenha local, o mercado imobiliário de Miami esta pegando fogo. E quem esta alimentando esta fogueira é o comprador brasileiro.
“Quase 70% dos nossos compradores são brasileiros”, conta Luciene Cofresi, corretora que trabalha no quiosque de vendas do Trump Tower III, a terceira torre com o mesmo nome dos empreendedores Michael e Gil Dezer em parceria com o empresário Donald Trump, onde apartamentos custam até U$ 2,350,000.
Porém coberturas de luxo em Sunny Isles Beach, área nobre e mais familiar, ou flats na área de Downtown, centro financeiro e agitado da cidade, não são os únicos tipos de propriedades que os brasileiros estão comprando em Miami. Pequenas unidades de veraneio e flats já decorados to tipo condo-hotel, a quadras da praia – que oferecem a opção de serem alugadas quando o proprietário não esta presente, em média por $100 por dia – estão sendo arrebatadas por menos de U$80,000. “Compramos um apartamento no ano passado e estamos alugando via Internet e gerando um retorno de investimento suficiente para re-investir”, diz Cornelius Conboy, que mora no Rio De Janeiro e esta de viajem marcada este ano para comprar outro apartamento em Miami.
Segundo a Associação de Profissionais Imobiliários da (Miami Realtor’s Association) brasileiros fecharam 9% das transações residenciais em 2010, comprando quase 50% das propriedades acima de U$500,000. Em 2011, a projeção é que os Brasileiros fechem 20% das vendas imobiliárias em Miami.
Qual a razão para o boom verde-amarelo? “A crise financeira americana causou um surplus de propriedades no mercado e investidores estrangeiros reconheceram a oportunidade,” comenta Lyle Chariff, presidente da Chariff Realty Group. “Preços baixos comparados a imóveis similares nas grandes áreas metropolitanas no Brasil e a forca do Real contra a moeda americana justifica este fluxo de investidores,” opina Chariff, que acaba de lançar a versão Brasileira do seu site, Chariff.com. “O atendimento ao cliente Brasileiro é imprescindível, pois representam agora nosso maior setor de crescimento” afirma.
A paixão dos Brasileiros por Miami é bem correspondida. Muitos empreendimentos estão se adaptando ao nosso ‘jeitinho’ e bom gosto. O Paramount on the Bay, prédio de luxo de 47 andares desenhado pela Arquitetônica com vista de 360 graus da Cidade Mágica e com direito ao pôr-do-sol com silhuetas dos grandes cruzeiros tomando o Atlântico, terá entrada acabada como o icônico calçadão do paisagista Burle Marx. “Teremos uma ressonância do Rio”, conta Isabella Holguin, diretora de vendas do projeto que conta com a participação de ateliê de design do rock star Lenny Kravitz, cujos projetos espelham suas aventuras no solo Brasileiro. “Nos nossos planos incluímos também quarto para empregadas”, adiciona Holguin notando que os clientes latino-americanos preferem viajar com suas babas. Ainda este ano, toda a equipe da Paramount on the Bay, da empreendedora IStar Residential, esta planejando uma viajem ao Brasil para apresentar o projeto para compradores e corretores.
O prédio Icon Brickell Avenue, um dos preferidos dos brasileiros, possui interiores decorados por Phillippe Starck. Ainda é possível comprar apartamentos em primeira venda por volta de U$300,000. Um passeio por suas belas piscinas e pelo seu exclusivo spa, o Viceroy Miami, nota-se que o Português é a língua franca e Havaianas, o chinelo mais usado.
Como comprar em Miami
Corretores imobiliários na Flórida são licenciados pelo Estado e todos usam o sistema de busca do MSL, a banca de listagem eletrônica única monitorada pela Associação National dos Corretores. O comprador brasileiro pode facilmente pesquisar propriedades pela Internet e contatar os corretores locais com o numero do MSL para adquirir mais informações. Novos empreendimentos, com unidades ainda na planta, não são listados.
Não é necessário estar presente nos EUA para efetuar a compra de imóveis e profissionais imobiliários se tornam um elo crucial entre o comprador estrangeiro e o mercado imobiliário local. Comissões imobiliárias são cobradas dos empreendedores ou proprietários. Vale a pena procurar o trabalho do corretor local, que poderá concluir pesquisas de preços, avaliar a qualidade da propriedade e guiar o cliente internacional no processo de compra e financiamento.
Para estrangeiros, financiamento é uma opção. Podem ser efetuados nos EUA com a apresentação de documentação das instituições financeiras do Brasil, visto americano, passaporte válido e uma entrada em dinheiro de pelo menos 30%. Muitas vezes, os bancos adiantam ate 65% do preço final da compra. Compensa financiar o imóvel no exterior? Segundo o consultor Marcelo Sicoli, gerente-executivo da Enterbrazil, um empresa especializada em relações comercias entre o Brasil e os EUA, financiamento pode compensar: “juros estão em torno de 5% nos EUA, enquanto que no Brasil chegam a 11%.” Porém, a grande maioria dos Brasileiros compram a vista. “O investidor visa se proteger de uma eventual variação abrupta do cambio e acabar com uma divida maior do que tinha inicialmente projetado,” diz Sicoli.
* Geane Brito, é formada em Jornalismo pela New York University, trabalho como consultora imobiliária para clientes internacionais em Miami com a Chariff Realty Group. Siga-a em Twitter: @geanemiami e leia o seu blog, www.gogomiami.com.wordpresss
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http://www.imovelmagazine.com.br/blog/2011/09/16/miami-cidade-magica-investimentos-reais/
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